17.3.05

Resposta da agência da Volks ao artigo a baixo

Caro Pedro,


Antes de mais nada, muito obrigada por nos enviar sua opinião. Nós a
respeitamos, mas não podemos concordar que este filme seja uma
demonstração de egoísmo. O filme da Volkswagen não visa levantar nenhuma bandeira
a favor ou contra a poluição ou o consumo desenfreado. Apenas retrata o
mundo em que vivemos, imperfeito como ele é. A poluição, o desemprego e
o modismo fazem parte da nossa vida mesmo que não gostemos disso. Ao
divagar, o protagonista do comercial percebe que o custo de ter um mundo
no qual só existissem produtos duráveis como um Volkswagen teria
conseqüências diretas e graves sobre a estrutura econômica capitalista e na
sua vida. Com este raciocínio utópico pretendemos comunicar o contraste
de empresas e produtos que optam por produzir produtos perecíveis
versus a forma da Volkswagen de fazer carros: duráveis, resistentes e em
contínua busca pela perfeição. Nada mais que isso.

Um abraço,
Annamaria


Annamaria Marchesini
AlmapBBDO
Assessoria de Imprensa - Press Assistant
Tel: 55 11 2161-5600 ramal/extension 2206
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www.almapbbdo.com.br


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Comments:
Caríssimo Pedro,
Já estava para comentar no post anterior, mas vamos ficar por aqui mesmo. Este post fica valendo por dois.
Seria bom se todo mundo com opinião formada colocasse na ponta do lápis o que pensa, para lotar as caixas de email e caixas postais das grandes devoradoras capitalistas. Talvez assim, elas olhassem para nós com um pouco mais de respeito e não colocassem no ar mensagens tão medíocres como a que Volkswagen (com uma focinha da Almap) teve a audácia de veicular.
Infelizmente às vezes preferimos ficar calados. Não reclamamos nem das pequenas coisas, do pequeno arranhão em um produto ou da manchinha que ninguém vai notar. Imagine, então, se vamos nos preocupar com o destino da humanidade, que jaz nas mãos das megacorporações.
É triste constatar, mas se a Volkswagen nos desrespeita tanto assim hoje, é porque muitas vezes não abrimos a boca para reclamar. E, com muita propabilidade, um comercial assim na Europa não seria veiculado. Acho que lá os consumidores conquistaram o seu lugar e as serpentes capitalistas sabem o seu.
Sua iniciativa é mais do que louvável, já a resposta da Anna Maria - ah, Anna Maria, por que Anna Maria? - só mostrou o que a gente já sabia e, tomara, nos faça continuar vigilantes, de olhos abertos para diagnosticar outros possíveis casos de excesso de cara-de-pau.

Thalmo ainda não comprou um Volkswagen, mas já está pensando seriamente na possibilidade de NUNCA comprar um.
 
E minha resposta foi:

Annamaria,

Sei que o comercial não visa levantar nenhuma bandeira a favor ou contra a poluição e que tudo o que quis dizer é que os carros da Volks duram mais, o problema é a forma que escolheram para falar isso, que faz com que essa informação sobre a durabilidade fique em segundo plano, com menos importância. No fundo, a mensagem que passa é uma afirmação, uma aceitação e apologia, e não apenas um retrato, ao mundo imperfeito como ele é, com todos os problemas que ele tem, que inclusive nos afetam mais do que mudanças na estrutura capitalista (ou você acha que aquecimento global, desemprego, poluição visual, consumismo são coisas boas?).

Dizer “que bom que nem tudo é tão perfeito quanto um volkswagen” é dizer que bom que o mundo é poluído, que bom que as mensagens publicitárias nos poluem a visão, que bom que existe o consumismo, pois assim eu posso comprar meu voks.

E essa mensagem é que não devia ter sido passada e infelizmente ela foi.

Obrigado pela atenção.
Pedro.
 
Tenho poucas palavras, mas a indignação foi semelhante.
Creio que a Irresponsabilidade Social é a marca desses tempos, no qual tais empresas são governantes dessa sociedade descartável em que vivemos.
O pior é que muitos ainda acham que estão fazendo "a coisa certa".
Bom, torçamos pelo reverso do caos.
 
Cara, quando eu vi o comercial pensei a mesma coisa q vc. Só esqueci de comentar contigo. Aqui vai um link q achei dando uma pesquisada no Google usando os termos comercial volkswagen:
http://www.midiaindependente.org/es/blue/2005/03/310661.shtml
Abrá.
 
Pedro,
quando vi seu texto no procriativo fiquei muito feliz!!! Porque, para escrever, vc parece ter tido a mesma sensação que eu tive ao ver...
Desde o primeiro momento foi um comercial que chamou minha atenção. Achei as imagens lindas, e, a medida que a idéia foi sendo passada, ia ficando mais feliz, não estava acreditando que uma empresa estava colocando aqueles assuntos em pauta... Já estava achando aquele o comercial mais irado que eu tinha visto quando levei um susto no final! Fiquei sem acreditar que a conclusão tinha sido aquela mesmo, ví o resto do intervalo esperando um teaser ou coisa assim!!
Eu acho que até agora nao acreditei que a marca, a agencia, a produtora, sei lá mais quem, tiveram coragem de assinar essa exaltação ao conformismo!!!
A gente até tenta não levar as coisas para a teoria da conspiração, mas nessas horas parece mesmo que tem alguém sacaneando a gente!! E o pior é que as pessoas caem!! No dia seguinte, cheguei no trabalho euforica pra comentar aquilo com as pessoas, e disse "vocês viram o comercial da Volkswagen", e a resposta forma muitos "Eu ví, maravilhoso, né?". E o que a gente fala essa hora? O comercial ganhou, matou todas as discusões e reflexões e agradou com umas imagens bonitas. Fiquei disiludida.
Mas eu sempre tento não ser radical e ver o lado bom das coisas. Nessa caso, a gente pode até dizer que funcionou como a pop arte, por exemplo, que foi exatamente gerar a discusão a partir da celebbração. Quem sabe foi esse comercial celebrando a falta de atitude que acabou colocando as pessoas pra pensar sobre isso, levou vc a escrever e um monte de gente a ler, e isso é muito bom.
O problema é não acontecer o que acabou acontecendo com o movimento, a gente desistir da crítica e ficar só com a celebração mesmo.
Por enquanto, só saber que alguém levantou essa questao e que outras pessoas participaram dessa discusao já é ótimo!!

Adorei mesmo!
Abraço,
Juliana Dadalto
 
Fala, Pedrão!

Rapaz, o interessante é que eu, vendo televisão, anestesiado e acrítico como convinha naqueles momentos de puro entretenimento descompromissado, não atinei para qualquer questão ética ou moral. Apenas virei para a Cris e disse: "esse é o anúncio mais cretino que já vi em toda a minha vida".

Ok, talvez não seja. O que fica, porém, é uma tremenda bola fora. Desconheço os autores, mas eles tiveram o seu momento futebol carioca: cabeças de bagre com pose de craques.

Abraço,

Luiz
 
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